“O espaço ainda está um tanto desorganizado, mas agora teremos condições de deixar isso aqui com cara de arquivo”, assegura o pesquisador Joatan Nojosa, sobre a situação do futuro arquivo que funcionará provisoriamente no prédio da Ilha Digital; fato que já não é mais novidade para parte da população, devida à ampla divulgação e debate desse projeto desenvolvido pela Associação SEMPRE (Segmento de Estudiosos da Memória e Patrimônio Regional da Serra de Baturité), entidade sem fins lucrativos, criada em Pacoti há quase um ano.
“O trabalho da SEMPRE foi de sensibilização junto à comunidade e poder público, em parceria com a Secretaria de Cultura, alertando sobre a importância de se cuidar do acervo documental da cidade. Elaboramos o primeiro projeto de lei de criação de um arquivo, à nível estadual, que possui sede e dotação orçamentária próprias em subordinação direta ao Executivo, como orienta a legislação pertinente, o que garante que o espaço não seja destituído por uma outra gestão municipal”, explica Levi Jucá, historiador, presidente da ONG, que foi escolhido diretor da nova instituição pela administração Cidade Feliz.
Dados recentes do Arquivo do Estado de São Paulo revelam que 73% dos municípios brasileiros não possuem um arquivo instituído e organizado. No Ceará, desde 1982 foi criado o Sistema Estadual de Documentação e Arquivos (SEDARQ) através da Lei nº. 10.746, sendo acrescido de um dispositivo de reestruturação através do decreto Lei nº. 13.087, de 29 de dezembro de 2000, com o intuito de implantar a política estadual de arquivos públicos e privados, visando a gestão, preservação e acesso aos documentos. O mais sério é que ainda hoje, somente estão previamente organizados os arquivos de Caucaia e Farias Brito. “Vamos continuar fazendo uma grande divulgação do Arquivo de Pacoti como exemplo para outras cidades, em especial às do Maciço de Baturité”, avisa Cássia Barroso, secretária de cultura.
A implantação do espaço é também marcante para o funcionário público José Cleóbulo Moura, que há tantos anos se preocupa com essa organização: “o primeiro prefeito a se preocupar com os documentos foi o Dr. Audísio de Sousa, que merece a homenagem do arquivo ter seu nome, mas depois vinha outra gestão e desorganizava tudo de novo. É uma dificuldade encontrar papéis de prova que ajudem alguns idosos a dar entrada na aposentadoria”.
O pioneirismo de Pacoti também se deve às características especiais que possui seu acervo para o público pesquisador, o que o torna também um espaço cultural. “Agora poderemos ter acesso às fontes para contar a história de nossa cidade, que infelizmente anda cheia de erros e lacunas nas placas por aí”, conta Maraline Rocha, universitária do curso de História. O volume documental, além de possuir itens referentes às demais cidades serranas (Aratuba, Mulungu e Guaramiranga, que por alguns anos foram distritos de Pacoti), pretende também custodiar acervos particulares de interesse público. “A partir do trabalho de resgate patrimonial, surgiram inúmeras fotografias antigas, cartas, mapas, jornais, fitas K-7, vídeos e demais documentos que não tem como suporte apenas o papel oficial”, conta Levi Jucá.
A primeira etapa consistirá na formação de uma equipe funcional e de outros interessados, através de oficinas e cursos de arquivística, em parceria com o Arquivo Público do Estado do Ceará – APEC. (Contato: associacao_sempre@hotmail.com)














