A crise financeira que atinge os pontos centrais do capitalismo mundial parece que chegou aos jornais impressos. Os sinais podem ser percebidos veiculados em seguidas notícias nos próprios jornais: New York Times resolveu cortar 5% dos salários de seus funcionários por nove meses. O Washington Post fechou o seu caderno literário e iniciou um processo de demissões voluntárias. Vários jornais americanos estão deixando de publicar suas edições em papel optando por permanecer existindo apenas na Internet. A Federação Européia de Jornalistas pediu ao Parlamento Europeu para salvar os jornais impressos. O Governo francês socorreu os jornais diários com 600 milhões de euros.
Os motivos parecem ser maiores que as razões de cunho apenas econômicos. Tudo indica existe, também, o problema da obsolescência dos próprios veículos. O mundo inteiro passa por uma revolução no modo de ler. E, principalmente, a internet oferece ao leitor uma enorme pluralidade de fontes de informação. E o leitor pós-moderno começa a se adaptar no acesso e leitura de múltiplos canais.
O jornal New Yoyk Times, publicou no final do mês de março artigo de Nicholas Kristof, alertando para o perigo da leitura de notícias através da internet. O articulista diz, apoiado no livro “The Bis Sort: Why the América is Tearing Us Apart” (A grande classificação: porque a divisão de idéias iguais nos esta dividindo), de Bill Bishop, que os americanos estão se segregando em comunidades, clubes e igrejas onde são cercados por pessoas que pensam de modo parecido, e que o resultado dessa polarização seria a intolerância. Apóia também sua argumentação numa pesquisa realizada por Cass Sunnstein, professor de direito de Harvard, que constata que num debate de pessoas com pensamentos semelhantes, os progressistas se tornavam mais progressistas e os conservadores, mais conservadores.
Baseado nestes argumentos e noutros parecidos, ele afirma o perigo do declínio das mídias impressas porque, como na internet o leitor é seu próprio editor, podendo escolher as notícias que deseja ler dentre milhares de informações que estão disponíveis, optaria provavelmente por ler apenas as notícias que venham a corroborar com as idéias pré-concebidas que tem. Então, a internet levaria o leitor a um noticiário auto-selecionando, e que essa atitude levaria os leitores a um isolamento indesejável, agindo como um entorpecente.
A questão que colocamos é: a leitura de um noticiário auto-selecionado é indesejável para quem? Logicamente para quem detém o controle sobre o que deve ser informado e como deve ser lido. Na verdade esse artigo é sinal do desespero de quem está vendo o era sólido desmanchar no ar.










