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IDEIAS PARA UMA POLÍTICA PARA O ARTESANATO CEARENSE


Este texto reúne idéias para a atuação do Governo em apoio ao setor produtivo artesanal, centrado em dois objetivos principais:

a)Refletir sobre a situação do artesanato cearense em suas debilidades e oportunidades;
b)Apresentar propostas que melhorem a realidade do setor, as possibilidades de desenvolvimento da qualidade de vida do artesão, gerem alternativas de emprego e renda através do trabalho artesanal autônomo, aproveitando os saberes das comunidades, a mão-de-obra disponível, valorizando a potencialidade da cultura local, do indivíduo e de sua trajetória em busca do desenvolvimento humano.

Mesmo sem que se faça qualquer pesquisa ou diagnóstico, fácil é perceber em todo o Ceará a pujança da indústria do artesanato, da existência de uma malha de distribuição funcional do que se produz e da eficácia de sua comercialização.

Diante desta percepção inicial simples, o que fazer para melhorar as condições dos produtores, comerciantes e da distribuição do artesanato cearense?

O QUE FAZER

Uma ação política no setor artesanal requer um conjunto de medidas estruturais:

1 – Mapear a produção artesanal no Estado, catalogando produtos e artesãos, disponibilizando à população informações sobre a localização, qualquer que seja seu endereço de trabalho: residência ou oficina, possibilitando o acesso aos produtores artesanais;

2 – Implantar um sistema de memória do artesanato cearense, através do incentivo a pesquisas sobre o assunto, da criação de arquivos digitais de imagens e dados, e da criação de um museu do artesanato, democratizando técnicas e fazeres pouco divulgados ou esquecidos;

3 – Implantar cursos de técnicas artesanais nas escolas: tecelagem, cerâmica, costura, bordado, carpintaria e outros, promovendo a difusão dos saberes artesanais, principalmente entre os jovens da rede escolar municipal;

4 – Implantar oficina de pesquisa (que reúna informações sobre demanda, oferta, tendências de mercado) e desenvolvimento de produtos artesanais ( desenvolvimento de marcas e embalagens, selos de procedência, desenvolvimento de catálogos e websites), promovendo o intercâmbio de saberes e a melhoria da produção e do produto artesanal;

5 – Incentivar o surgimento de empresas artesanais e a criação de galerias, pontos comerciais e feiras de artesanato em Fortaleza e outras cidades de bom porte econômico, promovendo o hábito do consumo dos bens artesanais e a valorização da cultura local. Assim como capacitar o artesão para gerenciamento dos seus negócios e empreendimentos, despertando-o para o associativismo e cooperativismo.

6 – Apoiar a participação de artesãos cearenses no circuito nacional de feiras (Pará Art, Art fashion, Mãos-de-Minas, UD São Paulo, Fearg, etc) e rodadas de negócios artesanais, ajudando na divulgação e conhecimento da cultura artesanal local;

7 – Criar campanhas institucionais de divulgação do artesanato da cidade e do Ceará como lugar de ver e comprar artesanato;

8 – Ampliar a abrangência do Salão do Artesanato de Fortaleza, buscando dar-lhe projeção nacional.

AÇÕES IMEDIATAS

Como sinalização da existência de intenção objetiva de promover mudança na política do artesanato, como ações imediatas se deveria:

1 – Realizar o mapa da produção artesanal em todas as regiões do Estado;

2 – Implantar oficina piloto de desenvolvimento de produtos têxteis;

3 – Realizar curso de requalificação técnica para ceramistas;

4 – Realização de seminários em diversos pontos do Estado sobre o desenvolvimento de ações visando a evolução e melhoria do setor produtivo artesanal, reunindo instituições que atuem ou envolvidas com o setor (Central Cearense de Artesanato, Sebrae-Ce, Memorial da Cultura Cearense, Museu de Tradições Populares, etc.).

RESULTADOS ESPERADOS

Como resultados destas ações esperamos:
1. O desenvolvimento da capacidade do artesão de desenvolver suas atividades de forma organizada, aumentando sua auto-estima e qualidade de vida;
2. A valorização do artesanato como expressão cultural; e, principalmente,
3. Propicie o incremento da ocupação da mão-de-obra pouco qualificada, criando mais oportunidades de trabalho e renda.

E, como passo seguinte, espera-se dos poderes constituídos uma ação planejada, que observe o setor artesanal como socialmente rentável. Ajude na sua divulgação enquanto atividade de grande potencialidade econômica, contribua na organização da gestão e da produção, criando espaços novos espaços de venda. E estabeleça uma política de intervenção no campo artesanal, claramente direcionada à produção artesanal das camadas populares do Estado.

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DADOS JOSE LEMOS


- D. José Tupinambá da Frota na História de Sobral e Antonio Bezerra de Menezes, no livro Notas de Viagem, de 1889, pág 175 e 309, trazem informações sobre o artista.

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Castelos de papel: Crise no jornalismo impresso


A crise financeira que atinge os pontos centrais do capitalismo mundial parece que chegou aos jornais impressos. Os sinais podem ser percebidos veiculados em seguidas notícias nos próprios jornais: New York Times resolveu cortar 5% dos salários de seus funcionários por nove meses. O Washington Post fechou o seu caderno literário e iniciou um processo de demissões voluntárias. Vários jornais americanos estão deixando de publicar suas edições em papel optando por permanecer existindo apenas na Internet. A Federação Européia de Jornalistas pediu ao Parlamento Europeu para salvar os jornais impressos. O Governo francês socorreu os jornais diários com 600 milhões de euros.

Os motivos parecem ser maiores que as razões de cunho apenas econômicos. Tudo indica existe, também, o problema da obsolescência dos próprios veículos. O mundo inteiro passa por uma revolução no modo de ler. E, principalmente, a internet oferece ao leitor uma enorme pluralidade de fontes de informação. E o leitor pós-moderno começa a se adaptar no acesso e leitura de múltiplos canais.

O jornal New Yoyk Times, publicou no final do mês de março artigo de Nicholas Kristof, alertando para o perigo da leitura de notícias através da internet. O articulista diz, apoiado no livro “The Bis Sort: Why the América is Tearing Us Apart” (A grande classificação: porque a divisão de idéias iguais nos esta dividindo), de Bill Bishop, que os americanos estão se segregando em comunidades, clubes e igrejas onde são cercados por pessoas que pensam de modo parecido, e que o resultado dessa polarização seria a intolerância. Apóia também sua argumentação numa pesquisa realizada por Cass Sunnstein, professor de direito de Harvard, que constata que num debate de pessoas com pensamentos semelhantes, os progressistas se tornavam mais progressistas e os conservadores, mais conservadores.

Baseado nestes argumentos e noutros parecidos, ele afirma o perigo do declínio das mídias impressas porque, como na internet o leitor é seu próprio editor, podendo escolher as notícias que deseja ler dentre milhares de informações que estão disponíveis, optaria provavelmente por ler apenas as notícias que venham a corroborar com as idéias pré-concebidas que tem. Então, a internet levaria o leitor a um noticiário auto-selecionando, e que essa atitude levaria os leitores a um isolamento indesejável, agindo como um entorpecente.

A questão que colocamos é: a leitura de um noticiário auto-selecionado é indesejável para quem? Logicamente para quem detém o controle sobre o que deve ser informado e como deve ser lido. Na verdade esse artigo é sinal do desespero de quem está vendo o era sólido desmanchar no ar.

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Onde anda o Salão de Abril?


O artista plástico Mário Baratta, na abertura do II Salão de Abril, em 1946, disse: “nossas mostras de arte tem sempre mais fim educativo que interesses econômicos”.

Mais de cinqüenta anos depois, essa afirmação poderia ser repetida na abertura da próxima edição do Salão de Abril com uma ressalva: Hoje, nossas mostras de arte (no caso o Salão de Abril) não têm interesses econômicos nem educativos. Parece-me que, na verdade, a preocupação da Prefeitura de Fortaleza, órgão responsável pela realização da mostra, é apenas mantê-lo vivo ou adiar por mais alguns anos o seu fim.

Apesar de, indiscutivelmente, ser o mais importante e creio o único acontecimento na área das artes plásticas promovido pela Prefeitura de Fortaleza, o Salão de Abril ainda é tratado de uma forma provincianamente amadora. É visível o enorme esforço dos curadores do Salão para fazerem uma mostra, no mínimo, digna. Parece, entretanto, que os responsáveis maiores pelo planejamento das ações da Prefeitura não sabem que é impossível fazer um salão sem apoio e recursos. Fazer uma exposição não é apenas colocar numa parede um quadro ao lado do outro. Requer pessoal treinado para manipular as obras, espaço seguro para guardá-las, iluminação adequada, conforto ambiental, e, o mais importante, uma idéia na cabeça. Uma exposição deve ser um discurso do curador e dos críticos que fizeram a seleção das obras. A mostra tem que dizer alguma coisa. Embora se pense o contrário, uma mostra de arte para ser bem realizada necessita de muito tempo de trabalho.

Também não podemos esquecer uma boa estrutura de marketing. É necessário despertar no público o interesse de visitar a exposição. Os artistas também devem estar motivados em participar da mostra. E isso somente se consegue através de uma bem elaborada campanha.

O que foi escrito até aqui, foi escrito com poucas variações nas páginas do jornal O Povo, em 16 de março de 1997. E os problemas, hoje, são os mesmos. Estamos a menos de um mês da data do aniversário da cidade, tradicionalmente data de abertura da mostra, e nenhuma movimentação foi realizada no sentido da realização do Salão de Abril, que no ano passado aconteceu em agosto, com pouca ou nenhuma repercussão. Isso significa que a administração municipal de Fortaleza continua não dando a mínima importância ao Salão de Abril.

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A Arte de Sérgio Lima


As artes no Brasil sofrem de um vício que nos foi imposto no tempo de colônia e perdura na mente de muitos. Criadores e críticos são levados a acreditar que a produção artística local somente é significativa se acompanha a última tendência ou modas surgidas nos centros culturais europeus. Por isso, na procura por entender os nossos artistas somos “naturalmente” levados a buscar categorias artísticas desenvolvidas na Europa para enquadra-los. Essa atitude revela a aceitação, por princípio, de nossa incapacidade de criar coisas efetivamente livres dos padrões estabelecidos, e conseqüentemente novas, levando-nos a crer que o sol da criatividade sempre nasce além do nosso horizonte. Essa rápida contextualização é para fazer entender por que temos dificuldade por classificar a produção mais recente de Sergio Lima.

Sérgio não se deixa amarrar por imposições, mesmo ideologicamente sutis. Sérgio é um criador livre, independente de tendências, jamais procura se enquadrar. Mas esse não enquadramento não é rebeldia, não é negação. Sérgio simplesmente pensa, cria, propõe, diz coisas através de formas, tons, riscos e texturas: faz arte. Pesquisa e descobre, inventa, apropria-se de imagens, materiais e suportes na sua elaboração artística. Constrói seus instrumentos, traça seus caminhos e é sujeito de sua história.
Jogando com transparências, cores opacas, efeitos óticos, texturas e sentimentos táteis; empregando suporte e materiais fora do padrão (verdadeiras descobertas), Sérgio Lima constrói sem as amarras e rigores dos construtivistas, elaboradas obras visuais de delicada expressividade poética, composição sofisticada, profundo senso estético, onde facilmente se pode perceber o alto nível de autonomia e maturidade que o artista atingiu nos Embrulhos e Envelopes, sua obra contemporânea

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