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Revista Oca das Letras lança prêmio de poesia


A revista cultural Oca das Letras está lançando o I Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana – 2009. O prêmio contempla poesias concebidas nas línguas portuguesa, espanhola e guarani. Os trabalhos contemplados farão parte de uma antologia poética contendo três poemas de cada um dos 20 primeiros colocados. Também será publicado um livro do autor vencedor. Os concorrentes poderão participar com três poesias, cada uma limitada a 25 linhas de 60 caracteres. As obras inscritas deverão ser inéditas e não podem ter sido premiadas em outro concurso de poesia. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 31 de agosto. Outras informações na página da revista: www.ocadasletras.com.br .

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Antônio Bandeira: a poética do pintor


O pintor cearense Antônio Bandeira tamtém dedicava seu tempo à escrita. Escreveu muitos poemas e uma autobiografia. No ano passado, foi publicado um livro que reúne poemas e desenhos do artista, onde se pode perceber um pouco de sua força poética.

O crítico Clarival do Prado Valadares, no texto de apresentação da Sala Especial de Antônio Bandeira na II Bienal Nacional, realizada na Bahia em 1968, fala da existência de “uma impressionante integridade estilística e coerência temática através das fases figurativa e não figurativa” na obra do artista. Diz que Bandeira tem o seu vocabulário poético fincado nas raízes da sua infância: “O ambiente original do artista ou noutras palavras, sua vida desde a infância até a data de emigração do pintor de província em busca da metrópole, foi o núcleo poético na carga da memória”.

“Primeiro me deram de presente as nuvens, depois um sunga vermelho, e aí começou a nascer uma liberdade imensa. Infância girou em torno de árvore, era um sólido flamboyant vermelho, preto e amarelo que um dia se tornaria em quadro, ou melhor, em seqüência deles, em pintura, talvez. Nesse momento nuvens, mar e árvore já formavam um crepúsculo plástico, um nascimento ou uma morte, uma natividade“. Esse depoimento de Bandeira, dado a Milton Dias, em 1960, publicado em catálogo do Museu de Arte de Universidade Federal do Ceará, em 1961, é que provavelmente serve de base para o desenvolvimento da leitura do crítico. Mesmo ciente de que Clarival Valadares fala da poética na pintura, impossível é, para quem já leu alguns dos textos do pintor, não sentir que podemos tomar a afirmação de Clarival como também verdadeira, para os escritos de Bandeira. A infância e o flamboyant, a cidade queimada de sol e outras rememorações são a base das imagens estéticas manipuladas por Bandeira.
Onde não concordamos integralmente com o pensamento de Clarival é na limitação no tempo que serve de recordação e estímulo criativo para o artista. O limite não foi o abandono da província. Depois do cadinho, da fundição do velho Sabino, a vida continua e Bandeira vai colhendo flagrantes da vida como matéria-memória para estimular o seu fazer artístico: a mansarda, as mulheres, as prostitutas, os amores se não são poemas, ou melhor, se não se materializaram em mais poemas é por culpa do “comovente cheiro de tinta da profissão de pintor”, impedindo o nascimento de livros.
O flamboyant  que havia na frente da casa de Bandeira, que ele passava horas e horas admirando, com a convicção que dele nasceriam seqüência de quadros, se transformou em livro nunca publicado. “Faço quentão de dizer que o livro nasceu da morte da árvore. Sempre é assim, sempre será assim até a gente tornar ao pó donde viemos. A vida é toda de trocas. Se dá uma coisa, se recebe outra. Se recebe uma, se dá outra. Nada é lucro: levaram meu  flamboyant, me deram um livro. Este livro deveria ser uma pintura. Mas as vezes a gente não faz o que quer”.
Não sei se o livro realmente nasceu da morte do flamboyant, se os poemas nasciam da impossibilidade da pintura ou, ao contrário, da impossibilidade da pintura nasciam os poemas. O certo é que, em poemas ou quadros, Bandeira faz a sua arte de fragmentos da sua vida. Ele trabalha com a memória (evocações, visões, sonhos), transmudando instantes de sua vida em arte. Ele possibilita, tanto a seus leitores como a seus observadores, um verdadeiro mergulho no interior de si mesmo. Ele é sempre poeta, seja escrevendo ou pintando. O seu próprio texto comprova isso: “Encho meus dias e meus pensamentos fazendo um trabalho que alimenta, senão demasiadamente o estômago, suficientemente o espírito. Quero dar uma beleza gratuita, uma beleza extraída daqui e dali, trabalhada, sofrida, sentida, colaboração minha. Quero fazer um mundo novo, misturar o céu com a terra; dizer aos homens que eles são todos irmãos na batalha das raças, apontar a batalha visionária das grande massas urbanas; tirar uma pintura da natureza que já foi, que se está elaborando e que ainda vai prosseguir. Quero preparar terreno para a minha humanidade que virá depois, a humanidade feia que hoje sofre, presenteando-a com uma paisagem digna, uma cidade nova, uma árvore verde, um ser em germinação. Enfim, quero criar seres que não existam, misturar os reinos animal, vegetal e mineral, falar aos homens numa nova linguagem ou não falar língua nenhuma; enviar uma mensagem aos contemplativos”.

Não vejo o poeta Antônio Bandeira maior que o pintor, como afirmam alguns. Bandeira é simplismente um artista.

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Novo livro de Carlos Emílio é comentado no Cronópios.


O novo livro Maria do Monte, o romance inédito de Jorge Amado, de Carlos Emílio C. Lima, mediador de Poética do Olhar Aprendiz, foi comentado por José de Arimatéia Nogueira Alves, no Cronópios, indiscutivelmente um dos espaços virtuais de literatura mais respeitados da atualidade. Vejam trechos do comentário de José de Arimatéia:

“…Maria do Monte é uma das mais belas obras poéticas elaboradas em louvor à cultura e ao povo da Bahia, comparável ao poema Bahia de Todos os Santos de Jorge de Lima (anos 1950 ou 1960) e a uma crônica de Jorge Mautner cujo título não me recordo, publicada no jornal A Tarde (final da década de 1970 ou começo de 1980)”.

“Acredito que o autor conseguiu atingir todos (ou quase todos) os alvos e objetivos pretendidos, a começar pela construção de uma complexa e rica trama poética e metalinguística. Trata-se de um texto que exigirá do leitor maior ou menor esforço, concentração, a depender do seu repertório, para efetivamente fruir e deleitar-se com a narrativa. Fico de certo modo curioso em saber da recepção, reação e acolhida de Maria do Monte por parte dos estudantes de letras em terceiro grau Brasil a fora”.

“Certamente os iniciados em Joyce, Pound, Guimarães Rosa, Osman Avalovara Lins estarão diante de uma oportunidade para as mais diversas leituras e interpretações. Suponho que outras histórias não previstas pelo próprio autor poderão emergir no Maria do Monte, afinal, leva-se algum tempo para entender (quando entendemos) certos sonhos e delírios, sobretudo quando os criadores surtam fortemente (o que aconteceu com Pound, Joyce, dentre outros). Desconfio que o piauiense Mário Faustino adoraria ler esse livro (os espíritas dirão que ele está lendo, se já não leu…)”.

“Carlos Emílio, nascido no Ceará, terra de Alencar, de Cego Aderaldo e de Antônio Gonçalves da Silva (mais conhecido como Patativa do Assaré) honra a tradição das suas raízes culturais, trabalha muito e com gosto”.

“Maria do Monte é um ousado projeto no campo das letras; tem a formatação esperada para um projeto com proposta de desconstrução ou pós-pós, aparentemente errático, coberto de neologismos; é natural que tenha mandado a última flor do Lácio para as “cucuias” (graças a deus…) etc. Afinal, trata-se de um “… livro [que é de Jorge e de Carlos, digo eu] com suas milhares de páginas circuladas ainda não escritas em branco de todas as cores possíveis que era proliferado pregado nos muros e postes de toda Salvador da Bahia…” (24) é uma narrativa onírica ou delirante, poética, ainda que em prosa. Está claro que se trata de um projeto fortemente bachelardiano que trabalha com o devaneio cósmico, com a alquimia e busca falar com a linguagem dos começos do mundo, enfim, a poética do devaneio em prosa”.

“O livro de Carlos Emílio, assim como Alberto Manguel em A cidade das palavras, publicado pela Cia das Letras, em 2008 (mesmo ano de Maria do Monte) também é um protesto contra a indústria de livros que visa, sobretudo, a mercantilização refletida em vendagem. O financiamento de projetos ou pacotes (best seller, filme, DVD, quadrinhos etc) certamente destinados ao grande público; mas o pecado maior é a falta de apoio e reconhecimento aos autores inovadores e ousados no campo das letras”.

“Ao final de MARIA DO MONTE, o romance inédito de Jorge Amado, Carlos Emílio disponibiliza aos seus leitores um Conto-matriz do romance (147 a 157) visando facilitar a decifração da malha narrativa. Joyce também utilizou o mesmo recurso quando inseriu o roteiro-chave ao final de ULISSES”.

“Penso que são grandes as chances de que o livro de Carlos Emílio C.Lima torne-se um referencial no campo literário contemporâneo. Só o tempo dirá”.

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Casa das América reconhece poesia de Ledo Ivo


Escritores da Argentina, Bolívia, Brasil e Porto Rico foram proclamados na noite de 12 de fevereiro, em Havana, como ganhadores do Prêmio Literário Casa das Américas na quinquagésima edição de um dos certames mais prestigiosos do hemisfério ocidental.

Desta vez a Casa das Américas outorgou o Prêmio Extraordinário de Estudos sobre Estados Unidos, ao destacado intelectual porto-riquenho Juan Flores, um dos mais agudos e consistentes ensaístas nesse campo, por seu livro Bugalú y otros guisos.Os outros premiados foram a novela El exilio voluntario, do boliviano Cláudio Ferrufino-Coqueugniot; o depoimento Mañana es lejos (memorias verdes de los años rabiosos), do argentino Eduardo Rosenzvaig; e o livro de poemas em língua portuguesa Réquiem, do brasileiro Ledo Ivo. Na categoria de literatura para crianças e jovens foi agraciado La prometida del señor de la montaña o la doncella de Huillallaco, da escritora portenha Yoli Fidanza.

Como é habitual, a Casa das Américas reconheceu com Prêmios Honoríficos produções literárias publicadas durante os últimos meses, na região. O Prêmio Lezama Lima, de poesia, foi conferido a El alternado paso de los hados, do peruano Carlos Germán Belli; o Prêmio José María Arguedas, de narrativa, coube a La ceiba de la memoria, do colombiano Roberto Burgos; e o Prêmio Ezequiel Martínez Estrada foi para Globalización de las identidades nacionales y postnacionales, ¿de qué estamos hablando?, do chileno Grinor Rojo.

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Crítico literário defende TV e quadrinhos


Em entrevista publicada na Folha de São Paulo, em 18 de janeiro, o crítico George Steiner diz gostar que o chamem de carteiro, como o carteiro do filme O Carteiro e o Poeta, sobre Pablo Neruda. “É um trabalho muito bonito ser professor, aquele que entrega cartas, embora não as escreva. Meus colegas odeiam ouvir isso. A vaidade dos acadêmicos é enorme!” … “Somos os carteiros, e somos importantes. Os escritores precisam de nós para chegar a seu público. É uma função muito importante, mas não é o mesmo que criar”, diz Steiner. Na entrevista o crítico defende o valor artístico da TV e afirma que, hoje, Shakespeare seria roteirista e aprovaria Hamlet em quadrinhos.

Até aqui nada demais se George Steiner, completando 80 anos, não fosse reconhecido como uma das grandes mentes de hoje no mundo literário internacional. Ele foi Steiner Professor Emérito de Inglês e Literatura Comparada na Universiudade de genebra (1974-1994), Professor de Literatura Comparada da Universidade de Oxford (1994-1995), Professor de poesia na Universidade de Harvard (2001-2002) e Professor da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, onde reside. Steiner é, além de influente crítico, ensaísta, filósofo, romancista, tradutor e educador, e escreveu extensamente sobre a relação entre linguagem, literatura e sociedade.

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Portunhol selvagem


 “El portunhol selvagem brota de la nada como flor selvagem de la buesta de las vakas. Oui, yes, por supuesto, mejor comenzar desexplicando. Pues que de hecho toda explicación única (scientífica ou non) será siempre traicionera versione falsificada. Ou seja: non soy nim fui el inventor del portunhol selvagem. Soy apenas el inbentor de um concepto de portunhol selvagem, um portunhol salbahem enquanto habla y escritura y non-lengua. Um concepto falsificado, paraguayensis, pero que nim Borges y suos acólitos nim los kapos de Oxford ou de la Sorbonna lo podem refutar”.

Quando vi esse texto no Digestivo Cultural logo me despertou curiosidade. Que língua é essa? Nunca tinha escutado falar nem lido nada sobre a sua existência. É uma mistura de português, espanhol e guarani, ainda falado por alguns indígenas do Paraguai.

Tudo indica foi inventada ou registrada ou grafada pelo poeta Douglas Diegues radicado no Mato Grosso do Sul, na fronteira do Brasil com o Paraguai.

Não conheço nada escrito pelo poeta. Mas Douglas publicou, entre outros livros, Dá gusto andar desnudo por estas selvas – sonetos salvajes (2002), Uma Flor na Solapa da Miséria (2006) e El Astronauta Paraguayo (2008). Tem quem afirme que é o produto literário mais interessante desde Guimarães Rosa. Devemos conferir.

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