Pode-se afirmar que a autonomização da arte francesa se inicia com Luiz XIV e torna-se referência para as artes internacionais com o estilo Luiz XV, principalmente no mobiliário. A elegância do estilo Rococó também pode ser observada em vários outros pontos da Europa mas, no Brasil, a influência da arte francesa somente vem a ocorrer de modo mais explicito através do estilo Neoclassico, trazido pela Missão Artística Francesa nas décadas iniciais do século XIX, no governo de D.João VI, e estende-se como estilo oficial por quase todo o restante do século.
Esse estilo tem por fundamento o uso exacerbado das formas do classicismo greco romano, como já ocorrera no Renascimento italiano. Os estetas do neoclassicismo, dentro de uma visão historicista e idealista, acreditavam na existência de um belo absoluto, cuja qualidades fundamentais eram a simplicide e a universalidade que não se encontra na imperfeição da natureza, mas no espírito humano. Por isso, devevía-se adotar por princípio a busca da harmonia das proporções, a regularidade das formas, a serenidade de expressão e a idealização da realidade.
Para o crítico Carlos Cavalcanti o neoclassicismo, através do dirigismo do seu método de ensino, obtém dois sutis objetivos práticos que se complementam:
“limitar a liberdade individual de criação do artísta e aliená-lo da participação da vida social. A limitação da liberdade individual de criação será feita mediante a adoção de normas e preceitos técnicos e expressivos, formulados à base dos exemplos e sugestões das obras dos gregos e renascentistas. A obediência a essas normas e preceitos anulará ou dificultará a afirmação de peculiaridades pessoais como também das características nacionais.”
Outro aspecto importante da inspiração francesa na arquitetura brasileira é a influência dos ventos do romantismo e outras tendência do fim de século XIX que promovem a diluição dos rigores do neoclassico levando a arquitetura a uma mistura repleta de referências estéticas de estilos apanhados na pesquisa histórica, apresentando, por vezes, uma mesclagem rica, inteligente e criativa de estilos, por vezes, uma mistura caótica denominada de ecletismo.
A proposta ecletica pode ser entendida um desejo de fuga ou resistência ao dirigismo cultural do neoclassico que, por certo, tinha por finalidade ideológica servir à conservação dos poderes políticos e interesses dos grupos burgueses dominantes, que punham fé inabalavel no triunfo das ciências, da indústria, e na superioridade da cultura européia frente as culturas de outros povos.
Na passagem do século, nas últimas décadas do século XIX, também fruto de propostas contraditórias, surgem as primeiras manifestações de um estilo concebido por teóricos que propunham criações originais mais sintonizadas com o espírito industrial, esperimental e moderno, uma espécie de consciliação dos ideia estéticos do passado com as possibilidades novas do presente. Surge a Arte Nova, o Art Noveau. Essa nova tendência artística teve pouca duração sufocada que foi pelo conflito que resultou na primeira Guerra, mas teve seus reflexos espalhados p-elo mundo, incluse o Brasil e o Ceará.
Ao final da Guerra parece que estão sepultadas definitivamente as idéias de restauração do passado. As ideias modernas se impõem e se materializam nas artes, na arquitetura, na moda, ganham forte divulgação através da Exposição de Artes Decorativas de 1925, em Paris, e rapidamente espalham-se por todo o mundo ocidental. Para que se tenha uma idéia da rapidez de sua difusão, em 1928, em Fortaleza, já tinhamos uma construção de influência Art Decó: o munumento à José de Alencar, na praça de mesmo nome.
O desejo de modernidade não pára desde então. A visão racionalista avança assossiando estética, técnica e funcão. A beleza liga-se a funcionalidade estabelecendo um novo conceito de beleza. Surge o Funcionalismo, estilo que pode ser personificado em Le Corbusier. A sua influência no Brasil foi profundamente fértil e produtiva e, graças a ele, a arquitetura brasileira empunhou a bandeira da vanguarda durante muitos anos.
No Ceará, a influência francesa na arquitetura pode ser observada em vários prédios, tanto em Fortaleza como nas principais cidades do interior. Prédios como a Estação João Filipe, a Assembéia Provincial, o Theatro das Ribeiras do Icó, o Teatro São João de Sobral marcam a influência do Neoclássico; a Rotisserie, o banco Frota Gentil e muitos outros prédios marcam o Ecletismo. Mais raros em nossa arquitetura são os exemplos do Art Nouveau. Em contrapartida a influência do Art Decó pode ser percebida na arquitetura popular e o Funcionalismo, pode-se dizer sem medo de erro, que ainda é o estilo mais influente entre os arquitetos que atuam hoje no Ceará.
Essa série de fotos busca fazer ver a riquesa estética que a influência francesa nos possibilitou. E para tal recorremos a um ensaio do fotógrafo Esdras Guimarães que conseguiu captar de modo poético, em detalhes, o glamour ea elegância que a cultura francesa nos legou.