Tendo como principais objetivos a criação de novos produtos artísticos e o estabelecimento de aberturas para trabalhos futuros, apoiados nas experiências de outros trabalhos realizados pela equipe do Instituto Olhar Aprendiz no ensino da arte e do artesanato, o projeto “Impressões: Maciço de Baturité”, realizado na cidade de Pacoti, reunindo quinze artistas da região, buscou proporcionar uma troca interdisciplinar de saberes, tecnologias, observações e reflexões, procurando fazer ver que a arte é parte essencial da experiência humana e não um simples adereço capaz de conferir grau maior de polimento ou sofisticação às pessoas.
Os que fazem o Olhar Aprendiz acreditam que toda pessoa tem o direito de compreender o mundo em que vivem, o seu lugar e como se deslocar nesse mundo, principalmente, as pessoas que se dedicam a fazer arte. Por isso, torna-se necessária uma disposição mais aprofundada no sentido de se buscar uma compreensão dos fazeres artísticos com uma abrangência mais alargada onde, além do desenvolvimento da melhoria das capacidades técnicas de elaboração dos produtos e dos seus modos de produção e distribuição, se busque também o desenvolvimento humano.
Nesse sentido, a intenção primeira do Olhar Aprendiz, antes mesmo do desenvolvimento de qualquer domínio técnico, é o alargamento dos níveis de sensibilidade, percepção e criatividade dos participantes do Projeto tanto dos convidados, como dos mediadores através do exercício artístico em geral, da arte própria de cada um dos participantes.
A proposta do Projeto Impressões: Maciço de Baturité se apoiou no mesmo tripé de ações integradas de outras experiências desenvolvidas anteriormente pelo Instituto Olhar Aprendiz: a busca da percepção da realidade em sua essência (leitura); a pesquisa interdisciplinar das bases históricas, antropológicas e tecnológicas do produto para o entendimento dos processos culturais (contextualização); e as vivências (fazeres), que se constitue nos momentos de encontro para a troca de saberes e experiências entre os participantes do processo.
O PROCESSO
A primeira atividade desenvolvida em Pacoti, foi uma espécie de debate, explanação ou mesa redonda onde se discutiu a “A FORMAÇÃO ECONÔMICA, ARTÍSTICA E CULTURAL DO MACIÇO DE BATURITÉ”, mediada por Francisco Tavares. A intenção era a melhoria da compreensão dos contextos histórico, social, geográfico e material onde se insere a produção dos artista da região e da realidade que envolve o criador.
A segunda atividade foi a apresentação da palestra “A XILOGRAVURA NA HISTÓRIA”, pelo artista e historiador da arte Roberto Galvão, também com a intenção de fornecer dados que permitam uma compreensão do lugar onde o artista está se inserindo, em que ponto ele está se situando na linha do tempo.
Num terceiro momento, o artista e professor Eduardo Eloy apresentou os materiais disponíveis, explicou o processo utilizado no projeto e conduziu o contato inicial dos artistas com os instrumentos necessários para a realização de xilogravuras e os primeiros exercícios e fazeres xilográficos: a preparação das matrizes, o desenho, o corte.
Havia a orientação para que os artístas se inspirassem na paisagem regional e no mundo em que vivem, procurando manter, apesar de estarem apenas iniciando no campo da expressão gráfica, uma certa coerência tanto com o universo formal que normalmente empregam em suas produções nas técnicas artísticas que regularmente utilizam. É um desenvolvimento do novo a partir do que já domina. É uma busca de si mesmo no desconhecido. É o criar individualmente ao lado de muitos. É viver o desafio de ser um indivíduo no coletivo.
O participante desse processo tem possibilidade de se integrar com outros artistas, estabelecer novas relações, aprender novos significados para o que já conhecia, coordenar novos conecimentos com os que já possuia, isso implica em mudanças de posição, de pensamento, de criar novos vínculos cognitivos para si e para o outro.
Também aconteceu o momento da apresentação de informações sobre “PAPÉIS UTILIZADOS NA XILOGRAVURA” que foi ministrado pelo artista Abelardo Brandão. Depois, sempre orientado individualmente pelos três mediadores, os artistas convidados foram estimulados no desenvolvimento de matrizes xilográficas e acompanhados nos processos de realização de provas de estágio de suas obras.
Para completar o processo, o expressivo resultado obtido nas oficinas do projeto Impressões: Maciço de Baturité, corre em exposições várias da cidades da região, tornando viível o trabalho desenvolvido pelos artistas do Maciço, numa espécie de devolução ao público, as obras que a paisagem e a vida cotidiana da região inspiraram e pode ser analisado neste catálogo.
Os que fazem o Instituto Olhar Aprendiz têm certeza que esse tipo de ação, realizada em parceria com a Associação do Prefeitos e Municípios do Maciço de Baturité – AMAB, financiada pela Secretária da Cultura do Estado do Ceará, e apoiada pela Secretaria da Cultura do Município de Pacoti, atingiu plenamente os seus objetivos, alargando o universo técnico, artístico e existêncial de vários criadores da região e que esse saberes serão multiplicados e democratizados através das muitas xilogravuras que serão produzidas em pelos artistas que participaram do projeto, estimulando muitos outros cidadãos do Maciço a se aproximarem da aventura da arte.
A arte-educação ganha novo impulso em municípios cearenses com o projeto Olhar Aprendiz: Arte, Educação e Cidadania Cultural. Em sua segunda edição, o projeto volta mantendo o patrocínio da Petrobras e o incentivo da Lei Rouanet.
O lançamento oficial aconteceu no dia 23 de novembro passado (quarta-feira), às 09 horas, no auditório da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (APRECE), em Fortaleza.
Estruturado como um conjunto contínuo de atividades para o ensino das artes, o projeto tem o objetivo de capacitar 300 arte-educadores e agentes culturais de todos os 15 municípios do Maciço de Baturité.
Estendido entre áreas de serra e sertão, o Maciço de Baturité receberá uma extensa programação ao longo de 2012, agrupadas em 45 laboratórios (Produção Textual, Expressividade Cênica e Laboratório de Criação Artística e Imagem), 30 audições (Música, e Dança) e 24 seminários (Arte-Educação a Partir da Escola e da Família, Imagem e Comunicação, História da Cultura Cearense, e Música, Cultura e Juventude). As atividades totalizam 1.050 horas/aula, sempre com base em conceitos e metodologias fundamentais ao ensino de Arte.
As inscrições, gratuitas, estão a cargo das secretarias de Educação e Cultura dos municípios, com prioridade para os concludentes da primeira edição. Vagas remanescentes atenderão outros arte-educadores e agentes culturais interessados.
O projeto reúne parceiros, dentre eles as prefeituras dos 15 municípios beneficiados e suas redes de ensino. Segundo Roberto Galvão, presidente do Instituto Olhar Aprendiz, a entidade proponente, “as escolas públicas desenvolvem iniciativas valiosas no campo da Arte na região do Maciço. Graças à Petrobras, vamos poder colaborar nesse processo”.
A Associação dos Municípios do Maciço de Baturité (AMAB) é a entidade beneficiária. A prefeita de Aracoiaba e presidente da AMAB, Marilene Campêlo Nogueira, tem a expectativa de que “o projeto Olhar Aprendiz II supere os resultados da sua primeira edição. Para isso faremos a divulgação e mobilização necessárias”, diz.
Segundo Lélia Coelho Frota (1974), no Brasil, foi a geração dos românticos a primeira a manifestar interesse pelo patrimônio cultural de raízes populares. Depois disso, somente com os modernistas vamos encontrar demonstrações de interesse pelos artistas populares. Embora, no Nordeste, o Movimento Regionalista de Recife, liderado por Gilberto Freire, em 1923, também tenha dado algum destaque à produção artística popular, Lélia afirma que, apenas depois de 1930, quando os intelectuais brasileiros passaram a se preocupar com a realidade nacional foi que, realmente, se começou a “descobrir” os artistas “primitivos”: Cardozinho (1861-1947), em 1931; Heitor do Prazeres (1898-1966), em 1937; Chico da Silva (1910-1985), em 1943; José Antônio da Silva (1913-19??), em 1946; Vitalino (1909-1963), em 1947.
No Ceará, o primeiro a ser “descoberto” foi o pintor Francisco Domingos da Silva, em 1943, realizando pinturas oníricas nos muros das casas dos pescadores que habitavam a praia Formoza.
Perceba-se que a consciência da importância das artes que não seguiam os cânones da arte européia era um fato relativamente novo. Embora possamos afirmar que sempre existiram artistas “primitivos”, não existia a consciência do seu real valor. Foi apenas nos passos iniciais do modernismo que as vanguardas, na busca de novas fontes de inspiração reconheceram o valor estético das manifestações “primitivas”. Desenvolvia-se nas elites uma “consciência” sobre o valor das artes populares, talvez despertada, depois de 1930, pelos interesses e ações do governo brasileiro, na busca de elementos para a “construção” de uma cultura oficial apoiada em bases mais nacionalistas.
Todavia, apesar do elevado nível artístico e de serem muito apreciadas por Bandeira, Aldemir, João Maria Siqueira e outros artistas locais, as pinturas de Chico da Silva despertaram pouco ou nenhum interesse no público fortalezense. Ninguém lhe dava atenção, seu único cliente era Chabloz. E mesmo os intelectuais que frequentavam a residência de Chabloz, apesar dos elogios do pintor suíço, não davam a devida atenção aos trabalhos do artista caboclo. O escritor Artur Eduardo Benevides conta:
“Chabloz o elogiava como um primitivista muito bom. Nós sabíamos, mas não dávamos essa importância que ele tem e que só viria a ser reconhecida a posteriori. Ele era um artista simples e comum, sem essa projeção que viria a alcançar”.
O censo comum ainda não permitia o entendimento da produção de Chico da Silva como arte, o que, na verdade, somente ocorre quando Chico é premiado na Bienal de Veneza, na década de sessenta. Depois outros nomes também ganham reconhecimento: Graubem do Monte Lima, Antônio Albuquerque e, mais recentemente, Nogueira, Mundinha, Zé Pinto, Alice Rola, Chico Rabelo, Antunys e muitos outros.
Outro fato notável foi o surgimento, na década de sessenta, de um ateliê coletivo de produção de trabalhos inspirados no estilo de Chico da Silva. Capitaneado pelo próprio Chico, o ateliê congregava o esforço produtivo de uma quantidade de jovens aprendizes que o auxiliavam na exução de suas obras e que, posteriormente, vieram a produzir de forma autônoma. Entre eles merecem destaque Claudionor, Baba, Ivan de Assis, Garcia, Maria Augusta, Gilberto Brito; e os filhos de Chico, Chica da Silva, Roberto da Silva; e, ainda, Gerardo da Silva, neto do artista.
Sobre as pinturas rupestres no Ceará, importante é o trabalho de Pompeu Sobrinho que nos informa sobre o padre Francisco Teles Correia de Menezes, de origem indiana, no fim do século XVIII e começo do seguinte, deu-se ao afanoso trabalho de visitar numerosos locais onde existiam inscrições rupestres, copiando com muita fidelidade quantas pode e registrando centenas de outras que não lhe foi possível examinar pessoalmente. O padre Francisco Teles Correia de Menezes legou-nos um pequeno trabalho intitulado LAMENTAÇÃO BRASÍLICA em que registrou as suas observações sobre as inscrições lapidares ou letreiros em pedra do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco; obra curiosíssima a que o estudioso atual desta matéria tem que recorrer obrigatoriamente e ainda esmiuçar detalhes. Isto não obstante o tempo já decorrido de cerca de 30 lustros.
No mesmo artigo Pompeu Sobrinho informa que os principais centros de inscrições rupestres são: o planalto dos Inhamuns, a serra da Ibiapaba, a bacia do Banabuiú e o médio Jaguaribe.
Quanto à temática, uma coisa, entretanto, chama atenção nos registros de nossa produção indígena: raros são os gravados ou pinturas antropomorfos. A quase totalidade dos desenhos anotados por Pompeu Sobrinho e outros estudiosos, é de caráter abstrato-geométrico. São simples esquemas gráficos ou símbolos de tradução desconhecida. Valendo ressaltar que nas produções encontradas na serra da Ibiapaba a mão humana está bastante presente.
Estrigas, no seu livro Artes Plásticas no Ceará, apesar de citar o livro Inscrições e Tradições da América Pré-histórica, de Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, que informa a existência de algumas pinturas de caráter figurativo em aproximadamente uma dezena de locais, é taxativo ao dizer que:
A pintura mais valiosa de nossa arte primitiva, até agora conhecida, encontra-se em Itapipoca, numa gruta, na face de uma pedra, chamada lá de “Pedra Ferrada”, na subida da serra.
Nessa gruta, pintados em contorno, com um vermelho alaranjado, encontramos dois pássaros, um quadrúpede, doze figuras humanas e, outras indistintas. Parecem pertencer a mesma época, e se desenvolvem dentro da mesma concepção.
Dessas doze figuras humanas destacamos, como de maior expressão dramática, uma, em posição vertical, com as pernas afastadas e os braços estendidos horizontalmente, num gesto misterioso.
Duas outras figuras humanas estão em postura de dança com flexão de braços e pernas e sensibilizam pela beleza formal.
Das figuras zoomorfas os pássaros destacam-se, de frente, com as asas abertas, e parecem estar, sutilmente, alçando vôo ou acabando de pousar. Expressivo, também, é o quadrúpede, possivelmente um cervídeo, que se posiciona de lado, no comprido do corpo, e, apesar de sua imobilidade, deixa transparecer uma atitude alerta, pronto para a fuga em caso de perigo.
Quanto aos gravados e pinturas de caráter abstrato ou geométrico, o seu significado ainda é uma incógnita. Segundo Estrigas,
apesar de parecerem sinais alfabéticos, ideogramas, eles encerram, em sua execução, uma porcentagem de aplicação artística”.
Se são sinais comunicativos ou arte, não se sabe. O certo é que essas pinturas permitem várias leituras. Podem ser traduzidas como representações mágico-artísticas de formas dos reinos vegetal e animal, ou como simples registro de formas decorativas com fins puramente estético, ou ainda como representações simbólicas da paisagem. Sobre a possibilidade de interpretação destas manifestações artísticas, Ruth Trindade de Almeida, afirma com bastante propriedade, em a Arte Rupestre nos Cariris Velhos, que
a formulação de hipóteses interpretativas exige um conhecimento seguro e minucioso da realidade. Somente após a análise do conteúdo e contexto de cada sítio, do delineamento dos estilos e de informações de natureza cronológica, pode-se pensar, com alguma segurança, em formular hipóteses interpretativas. Talvez no futuro tenhamos mais elementos para compreendê-las. No Brasil, algumas interpretações foram tentadas, mas todas baseadas em visões parciais do problema, a partir de material recolhido no passado, sem conhecimento de uma metodologia rigorosa, tal como recomendam os especialistas atuais.
Como não temos notícias da realização, no Ceará, de mapeamentos precisos dos sítios existentes, nem levantamentos suficientes que permitam comparações estilísticas e temáticas, nem estudos que possibilitem comparações com a produção artística indígena de outras regiões do Brasil, nem uma datação rigorosa destas manifestações, qualquer tipo de análise interpretativa ou mesmo o estabelecimento de qualquer hipótese sobre a nossa arte rupestre evidenciaria uma atitude prematura.
Roberto Galvão (Fortaleza, 1950) é um artista cearense de percurso internacional. Suas obras viajam pelo mundo, tendo sido expostas em países como Alemanha, Argentina, Bulgária, Cuba, Espanha, Estado Unidos, França, Macedônia, Polônia, Portugal e Uruguai; também em importantes instituições de várias cidades européias, como Barcelona, Berlim, Madri e Paris, e americanas como Buenos Aires, Havana, Portland, Nova Iorque, Montgomery, Menphis, Detroit, Atlanta e Chicago.
A minha intenção, como autor deste texto, é lançar um facho de luz, como um farol, sobre a personalidade poliédrica de uma das pessoas mais comprometidas do panorama cultural do Nordeste brasileiro atual: Roberto Galvão. Artista plástico, historiador, pensador e escritor; curador de exposições, crítico de arte, produtor cultural e professor. Dele, já se disse que tem a consciência de sua missão histórica na captação do mistério das coisas e do enfoque transfigurador da arte. E, com efeito, para Galvão não basta expressar as suas emoções com acerto estético. Ele necessita que sua obra contenha o seu pensamento político e a sua visão social, assím como fale de sua época, de sua realidade e cumpra a função social de despertar os seus semelhantes para novos postulados, que facilitem a aproximação e a abertura para novos paradigmas: “A nossa função de artista é descobrir como facilitar o despertar do espectador para a realidade. Os artistas têm que criar estes espaços de tensão através de imagens, objetos ou ambientes, em que o diálogo intermediado pela Arte possa acontecer. Ao mesmo tempo, forjar símbolos que sinalizem um caminho a seguir nessa busca de uma consciência libertadora.”
Graças a artigos sobre arte, que Galvão vem publicando desde 1984, e ao lançamento de livros como Chico da Silva e a Escola do Pirambu, Uma Visão da Arte no Ceará, Cinco Mestres Xilógrafos, Arte Tremembé, Aracatí: labirinto de sonhos, A Escola Invisível ou Paisagem Cearense”, podemos ir descobrindo diferentes facetas dessa personalidade poliédrica: “Em algumas ocasiões, nós, artistas, não temos a certeza de como cumprir nossa missão. Parece que nos escapam as referências exatas. Nosso trabalho não se materializa, se detém na fantasia, no mundo dos sonhos. Escapa a visão e nossa consciência não cristaliza. Assim, conseguindo plasmar a obra ou não, ser artista é o exercício de procurar cumprir uma missão. Apesar dos erros, das incompreensões, não podemos, nem devemos fugir de nosso destino. Essa opção não é nossa, dos artistas.”
Ao longo de sua carreira artística, Galvão tem utilizado, além da pintura e da escultura, a cerâmica, as jóias ou a fotografia, e também objetos da vida cotidiana – tecidos, pedras, madeiras, líquidos, carvão e terra – para compor instalações que falam da degradação da paisagem do Ceará onde habita e trabalha. Sempre com a intenção de desvelar, de tornar perceptível para o espectador o mundo em que vivemos. Jacob Klimtowitz, crítico de Sâo Paulo, acredita que “Verdadeiramente, Galvão discute a perenidade do real. Não é suficiente para ele simplesmente conhece o que observa. Ele deseja encontrar o coração da matéria, o núcleo do existente… E sua arte consegue, embora fundado num processo interiorizado, converter-se em registro de sua terra.”
Galvão é uma referencia na gestão cultural do Nordeste, além de uma figura essencial das artes, que acumula uma larga e frutífera experiência na produção e direção de projetos, assim como na curadoria de exposições. Muitos artistas se têm beneficiado de suas singulares idéias e logrado consolidar-se no panorama das artes graças a seu trabalho generoso. Pessoalmente, ele foi em certa medida o responsável por mudança marcante em minha trajetória criativa ao instigar-me, talvez sem notar, a passar de aprendiz a mestre, quando eu tinha trinta e um anos de idade e participávamos, junto com Eduardo Eloy e Marga Llin, de um ateliê de gravuras nos Cursos de Verão da Universidade de Alcalá de Henares, em Pastrana, em 1993, quando essa universidade espanhola celebrava o seu 700º aniversário. Do mesmo modo, desde aquela data tenho conhecido e presenciado em enumeráveis ocasiões o seu papel de assessoramento e orientação, inclusive na produção artística de não poucos criadores de relevância nacional e internacional. Não são poucos os pintores que ele tem entusiasmado a seguir produzindo, a evoluir mediante a elaboração do trabalho diário. É uma figura que consegue unir o interesse criativo com a gestão eficaz de todo tipo de iniciativas culturais, públicas e privadas. Mediante a criação do Instituto Olhar Aprendiz, nos últimos anos tem favorecido a realização de mais de setenta exposições, a publicação de catálogos e livros de arte e a realização de múltiplas atividades no território da Arte-Educação e da Pedagogia. E ainda, de sua autoria, tem obras nos acervos de museus como o de Arte Moderna (Sâo Paulo), MAUC da Universidade Federal do Ceará (Fortaleza), Arte Moderna da Bahia (Salvador), Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Casa da Gravura (Curitiba), Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro), Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar (Fortaleza) e Nacional do Gravado, em Buenos Aires (Argentina).
Implantado nos jardins da margem esquerda do Rio Acaraú, no centro da cidade de Sobral, em local de fácil acesso público e estacionamento, compondo com a Biblioteca Pública Lustosa da Costa e com a Escola de Comunicação, Artes e Ofícios Augusto Pontes – ECOA um complexo cultural que dispõe de teatro, anfiteatro, oficinas de pintura, escultura, gravura, laboratório de restauro, salas de dança e restaurante, o Museu Madi Sobral terá a sua reconstrução iniciada no primeiro semestre de 2012.
O novo projeto, realizado pela mesma equipe que criou a sede anterior, os arquitetos Antônio Carlos Campelo, Nelson Serra e Neves e Aida Montenegro, com a colaboração de Samuel Gouveia, após ser visto em Sobral na abertura do espetáculo do cantor Lenine, em novembro, foi apresentado ao público de Fortaleza no estande do Museu na Casa Cor Ceará 2011.
A obra do Museu Madi prevê o aproveitamento da antiga estrutura em concreto do prédio anterior e contempla a criação de mais um pavimento para a área de exposições, a criação de um amplo espaço para o desenvolvimento de ações educativas e uma nova e arrojada coberta. As áreas administrativas, laboratórios e reserva técnica serão implantadas na vizinha ECOA, enquanto o novo prédio será prioritariamente para as exposições e convivências sócio-educativas.
HISTÓRICO DO MUSEU MADI SOBRAL
Após três anos de funcionamento, acolhendo milhares de visitantes, a sede do Museu Madi Sobral foi atingida por um desastre: uma cheia do Rio Acaraú que danificou de modo irreparável todo o seu sistema elétrico, de refrigeração e de ilumimação; arrasou todas as vedações externas em vidro; destruiu todo o seu sistema de arquivos. Somente a estrutura em concreto resistiu às águas.
O acervo foi retirado das dependências do Museu, já com a água invadindo o prédio e, na emergência, infelizmente, teve que ser manipulado por pessoas não qualificadas para esse serviço, o que provocou danos em algumas obras.
Somente agora, depois de concluir a construção do Açude Taquara, que dificulta a ocorrência de nova cheia no Rio Acaraú, foi possível à Prefeitura de Sobral desenvolver ações para a recuperação do prédio do Museu. Nesse sentido, através da Secretaria do Desenvolvimento da Cultura e do Turismo, a Prefeitura de Sobral contratou o curador Roberto Galvão para coordenar os trabalhos de reimplantação do Museu Madi Sobral, na margem esquerda do Rio Acaraú, a partir do que a pretende Prefeitura de Sobral pretende desenvolver um forte trabalho de divulgação do movimento Madi.
SOBRAL TRABALHA PARA RECUPERAR O MUSEU MADI
A Prefeitura de Sobral sabe que o Museu Madi é um patrimônio de enorme valor para a cidade e todo o Brasil. Por isso, trabalha para que o acervo que nos foi legado por mais de 60 artistas de 14 países esteja, em breve, disponível para o deleite de sua população dentro de perfeitas condições técnicas, permitindo aos sobralenses e visitantes a convivência com Arte de padrão internacional.
Este texto reúne idéias para a atuação do Governo em apoio ao setor produtivo artesanal, centrado em dois objetivos principais:
a)Refletir sobre a situação do artesanato cearense em suas debilidades e oportunidades;
b)Apresentar propostas que melhorem a realidade do setor, as possibilidades de desenvolvimento da qualidade de vida do artesão, gerem alternativas de emprego e renda através do trabalho artesanal autônomo, aproveitando os saberes das comunidades, a mão-de-obra disponível, valorizando a potencialidade da cultura local, do indivíduo e de sua trajetória em busca do desenvolvimento humano.
Mesmo sem que se faça qualquer pesquisa ou diagnóstico, fácil é perceber em todo o Ceará a pujança da indústria do artesanato, da existência de uma malha de distribuição funcional do que se produz e da eficácia de sua comercialização.
Diante desta percepção inicial simples, o que fazer para melhorar as condições dos produtores, comerciantes e da distribuição do artesanato cearense?
O QUE FAZER
Uma ação política no setor artesanal requer um conjunto de medidas estruturais:
1 – Mapear a produção artesanal no Estado, catalogando produtos e artesãos, disponibilizando à população informações sobre a localização, qualquer que seja seu endereço de trabalho: residência ou oficina, possibilitando o acesso aos produtores artesanais;
2 – Implantar um sistema de memória do artesanato cearense, através do incentivo a pesquisas sobre o assunto, da criação de arquivos digitais de imagens e dados, e da criação de um museu do artesanato, democratizando técnicas e fazeres pouco divulgados ou esquecidos;
3 – Implantar cursos de técnicas artesanais nas escolas: tecelagem, cerâmica, costura, bordado, carpintaria e outros, promovendo a difusão dos saberes artesanais, principalmente entre os jovens da rede escolar municipal;
4 – Implantar oficina de pesquisa (que reúna informações sobre demanda, oferta, tendências de mercado) e desenvolvimento de produtos artesanais ( desenvolvimento de marcas e embalagens, selos de procedência, desenvolvimento de catálogos e websites), promovendo o intercâmbio de saberes e a melhoria da produção e do produto artesanal;
5 – Incentivar o surgimento de empresas artesanais e a criação de galerias, pontos comerciais e feiras de artesanato em Fortaleza e outras cidades de bom porte econômico, promovendo o hábito do consumo dos bens artesanais e a valorização da cultura local. Assim como capacitar o artesão para gerenciamento dos seus negócios e empreendimentos, despertando-o para o associativismo e cooperativismo.
6 – Apoiar a participação de artesãos cearenses no circuito nacional de feiras (Pará Art, Art fashion, Mãos-de-Minas, UD São Paulo, Fearg, etc) e rodadas de negócios artesanais, ajudando na divulgação e conhecimento da cultura artesanal local;
7 – Criar campanhas institucionais de divulgação do artesanato da cidade e do Ceará como lugar de ver e comprar artesanato;
8 – Ampliar a abrangência do Salão do Artesanato de Fortaleza, buscando dar-lhe projeção nacional.
AÇÕES IMEDIATAS
Como sinalização da existência de intenção objetiva de promover mudança na política do artesanato, como ações imediatas se deveria:
1 – Realizar o mapa da produção artesanal em todas as regiões do Estado;
2 – Implantar oficina piloto de desenvolvimento de produtos têxteis;
3 – Realizar curso de requalificação técnica para ceramistas;
4 – Realização de seminários em diversos pontos do Estado sobre o desenvolvimento de ações visando a evolução e melhoria do setor produtivo artesanal, reunindo instituições que atuem ou envolvidas com o setor (Central Cearense de Artesanato, Sebrae-Ce, Memorial da Cultura Cearense, Museu de Tradições Populares, etc.).
RESULTADOS ESPERADOS
Como resultados destas ações esperamos:
1. O desenvolvimento da capacidade do artesão de desenvolver suas atividades de forma organizada, aumentando sua auto-estima e qualidade de vida;
2. A valorização do artesanato como expressão cultural; e, principalmente,
3. Propicie o incremento da ocupação da mão-de-obra pouco qualificada, criando mais oportunidades de trabalho e renda.
E, como passo seguinte, espera-se dos poderes constituídos uma ação planejada, que observe o setor artesanal como socialmente rentável. Ajude na sua divulgação enquanto atividade de grande potencialidade econômica, contribua na organização da gestão e da produção, criando espaços novos espaços de venda. E estabeleça uma política de intervenção no campo artesanal, claramente direcionada à produção artesanal das camadas populares do Estado.
