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Arquivado em | November, 2011

Lançamento do Projeto Olhar Aprendiz 2


O projeto Olhar Aprendiz 2 foi lançado no dia 23 de novembro, no auditório da Associação dos Municípios do Estado do Ceará, em Fortaleza, que ficou lotado com as delegações vindas das cidades participantes do projeto.
Com patrocínio da Petrobras, o projeto tem, como entidade proponente, o Instituto Olhar Aprendiz e, como beneficiária, a Associação dos Municípios do Maciço de Baturité – AMAB.
Durante o lançamento, o presidente do Instituto Olhar Aprendiz, Roberto Galvão, fez uma apresentação das atividades do Instituto e também das metas do projeto, que consistem em capacitar 300 arte-educadores e agentes culturais dos 15 municípios do Maciço de Baturité.
As atividades planejadas serão levadas a cada um dos municípios beneficiados e incluem 45 laboratórios (Produção Textual, Expressividade Cênica e Laboratório de Criação Artística e Imagem), 30 audições (Música, e Dança) e 24 seminários (Arte-Educação a Partir da Escola e da Família, Imagem e Comunicação, História da Cultura Cearense, e Música, Cultura e Juventude).
À solenidade, estiveram presentes prefeitos, secretários municipais de educação e cultura, professores, agentes culturais e representantes de entidades ligadas à área, como APRECE, INGRAV, MUSEU DO CEARÁ, SEBRAE, SECULT, SENAR, UFC, UNDIME e UNILAB.
A Petrobras, empresa que patrocina o projeto desde a sua primeira edição, foi representada pelo Sr. Sérgio França, gestor de projetos culturais. Em seu pronunciamento aos presentes, disse ter boas expectativas quando ao sucesso do projeto e observou o entusiasmo das delegações vindas para a solenidade.
A prefeita de Aracoiaba e presidente da Associação dos Municípios do Maciço de Baturité – AMAB, Marilene Campêlo Nogueira, reafirmou a importância da parceria do Instituto Olhar Aprendiz com a AMAB, além de destacar a contribuição do projeto para a melhoria do nível pedagógico dos professores da região.

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PETROBRAS VOLTA A PATROCINAR O OLHAR APRENDIZ


A arte-educação ganha novo impulso em municípios cearenses com o projeto Olhar Aprendiz: Arte, Educação e Cidadania Cultural. Em sua segunda edição, o projeto volta mantendo o patrocínio da Petrobras e o incentivo da Lei Rouanet.
O lançamento oficial aconteceu no dia 23 de novembro passado (quarta-feira), às 09 horas, no auditório da Associação dos Municípios do Estado do Ceará (APRECE), em Fortaleza.
Estruturado como um conjunto contínuo de atividades para o ensino das artes, o projeto tem o objetivo de capacitar 300 arte-educadores e agentes culturais de todos os 15 municípios do Maciço de Baturité.
Estendido entre áreas de serra e sertão, o Maciço de Baturité receberá uma extensa programação ao longo de 2012, agrupadas em 45 laboratórios (Produção Textual, Expressividade Cênica e Laboratório de Criação Artística e Imagem), 30 audições (Música, e Dança) e 24 seminários (Arte-Educação a Partir da Escola e da Família, Imagem e Comunicação, História da Cultura Cearense, e Música, Cultura e Juventude). As atividades totalizam 1.050 horas/aula, sempre com base em conceitos e metodologias fundamentais ao ensino de Arte.
As inscrições, gratuitas, estão a cargo das secretarias de Educação e Cultura dos municípios, com prioridade para os concludentes da primeira edição. Vagas remanescentes atenderão outros arte-educadores e agentes culturais interessados.
O projeto reúne parceiros, dentre eles as prefeituras dos 15 municípios beneficiados e suas redes de ensino. Segundo Roberto Galvão, presidente do Instituto Olhar Aprendiz, a entidade proponente, “as escolas públicas desenvolvem iniciativas valiosas no campo da Arte na região do Maciço. Graças à Petrobras, vamos poder colaborar nesse processo”.
A Associação dos Municípios do Maciço de Baturité (AMAB) é a entidade beneficiária. A prefeita de Aracoiaba e presidente da AMAB, Marilene Campêlo Nogueira, tem a expectativa de que “o projeto Olhar Aprendiz II supere os resultados da sua primeira edição. Para isso faremos a divulgação e mobilização necessárias”, diz.

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Olhar Aprendiz recebe homenagem do arquiteto Omar Albuquerque, na Casa Cor Ceará 2011


O arquiteto Omar Albuquerque faz homenagem ao Instituto Olhar Aprendiz na Casa Cor Ceará 2011. O espaço que o arquiteto apresenta é uma proposta de ambientação para a sala da presidência do Instituto. O requintado ambiente é composto com obras da autoria de Roberto Galvão e objetos e gravuras de sua coleção particular. Deve ser destacado a sofisticada harmonia de cores utilizada por Omar Albuquerque, que além de arquiteto é, atualmente, responsável por página de arquitetura e design, no jornal O Povo.

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Olhar Aprendiz publica livro sobre a história da arte no Ceará


Quando se lança um olhar sobre a história, principalmente sobre a história das artes no Ceará, fácil é perceber a existência de pontos sombreados pelo esquecimento. Já foi dito que as artes no Ceará, nos séculos anteriores ao século XX estão na quase total escuridão. E mesmo no século passado, o único período onde encontramos estudos aclaradores é o tempo em que surgem as manifestações iniciais do modernismo na cidade de Fortaleza: a década de 1940, um pouco mais pra cá ou pra lá.
Para fazer frente a essa situação, Roberto Galvão, nas últimas décadas do século passado e primeiros anos deste século, escreveu alguns textos sobre as artes tentando pensar como se deu o desenvolvimento dos fatos e como imaginamos que aconteceram as mudanças, permanências, conflitos, rupturas ocorridos nas artes no Ceará.
Agora, passados alguns anos, resolveu publicá-los sem reescrevê-los, o que na sua opinião seria falsear a visão que tinha na época em que foram escritos, embora, por certo os textos merecessem correções.
No primeiro texto, aborda o conflito que se estabeleceu entre os indígenas e os europeus e o consequente etnocídio e verdadeiro massacre cultural cometido pelos colonizadores; o segundo, trata da expressão artística de influência religiosa que se estabeleceu no período colonial; o terceiro, versa sobre a implantação dos valores acadêmicos sem a existência de academias e, o último, discute pontos da chegada dos valores modernistas no Ceará.
O livro também contém uma tebela que foi elaborada para, de certo modo, facilitar a leitura e compreensão do discurso que vai se enredando através dos fatos e ocorrências que vão surgindo e, por certo, pautando o que entendemos por verdade histórica.

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Oficina de escultura na Escola de Artes e Ofícios de Sobral


A Prefeitura de Sobral através da Secretaría do Desenvolvimento da Cultura e Turismo, promoveu em parceria com o Instituto Olhar Aprendiz a Oficina de Escultura ministrada pela escultora espanhola Marísa Jorba (Maïs), que está expondo até 30 de dezembro na Biblioteca Municipal Lustosa da Costa . A Oficina foi gratuita e aberta para todas as pessoas interessadas, estudantes e artistas plásticos. A atividade aproximou os estudantes dos processos criativos e os sensibilizou para a importância da evolução intelectual e artística, buscando melhorar a compreensão do mundo social e cultural em que vivem.

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SEBRAE-CE promove encontro entre arquitetos e artistas


No próximo dia 17, às 19h, na Casa Cor Ceará 2011, o Sebrae-Ce reunirá artistas e arquitetos em rodada de negócios. Esse tipo de ação, que produz exelentes resultados em outras áreas de atuação do Sebrae, nunca foi experimentada antes no setor das artes visuais. A proposta é reunir 100 arquitetos com 30 artistas plásticos atuantes em Fortaleza. Na ocasião a pesquisadora Ana Letícia, de São Paulo, falará sobre Arte Contemporânea: Oportunidades e Desafios. Se os resultados forem satisfatórios, como se espera, outras rodadas serão promovidas em outras ocasiões.

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ROMÂNTICOS E MODERNISTAS DESCOBRIRAM OS “PRIMITIVOS”


Segundo Lélia Coelho Frota (1974), no Brasil, foi a geração dos românticos a primeira a manifestar interesse pelo patrimônio cultural de raízes populares. Depois disso, somente com os modernistas vamos encontrar demonstrações de interesse pelos artistas populares. Embora, no Nordeste, o Movimento Regionalista de Recife, liderado por Gilberto Freire, em 1923, também tenha dado algum destaque à produção artística popular, Lélia afirma que, apenas depois de 1930, quando os intelectuais brasileiros passaram a se preocupar com a realidade nacional foi que, realmente, se começou a “descobrir” os artistas “primitivos”: Cardozinho (1861-1947), em 1931; Heitor do Prazeres (1898-1966), em 1937; Chico da Silva (1910-1985), em 1943; José Antônio da Silva (1913-19??), em 1946; Vitalino (1909-1963), em 1947.
No Ceará, o primeiro a ser “descoberto” foi o pintor Francisco Domingos da Silva, em 1943, realizando pinturas oníricas nos muros das casas dos pescadores que habitavam a praia Formoza.
Perceba-se que a consciência da importância das artes que não seguiam os cânones da arte européia era um fato relativamente novo. Embora possamos afirmar que sempre existiram artistas “primitivos”, não existia a consciência do seu real valor. Foi apenas nos passos iniciais do modernismo que as vanguardas, na busca de novas fontes de inspiração reconheceram o valor estético das manifestações “primitivas”. Desenvolvia-se nas elites uma “consciência” sobre o valor das artes populares, talvez despertada, depois de 1930, pelos interesses e ações do governo brasileiro, na busca de elementos para a “construção” de uma cultura oficial apoiada em bases mais nacionalistas.
Todavia, apesar do elevado nível artístico e de serem muito apreciadas por Bandeira, Aldemir, João Maria Siqueira e outros artistas locais, as pinturas de Chico da Silva despertaram pouco ou nenhum interesse no público fortalezense. Ninguém lhe dava atenção, seu único cliente era Chabloz. E mesmo os intelectuais que frequentavam a residência de Chabloz, apesar dos elogios do pintor suíço, não davam a devida atenção aos trabalhos do artista caboclo. O escritor Artur Eduardo Benevides conta:
“Chabloz o elogiava como um primitivista muito bom. Nós sabíamos, mas não dávamos essa importância que ele tem e que só viria a ser reconhecida a posteriori. Ele era um artista simples e comum, sem essa projeção que viria a alcançar”.
O censo comum ainda não permitia o entendimento da produção de Chico da Silva como arte, o que, na verdade, somente ocorre quando Chico é premiado na Bienal de Veneza, na década de sessenta. Depois outros nomes também ganham reconhecimento: Graubem do Monte Lima, Antônio Albuquerque e, mais recentemente, Nogueira, Mundinha, Zé Pinto, Alice Rola, Chico Rabelo, Antunys e muitos outros.
Outro fato notável foi o surgimento, na década de sessenta, de um ateliê coletivo de produção de trabalhos inspirados no estilo de Chico da Silva. Capitaneado pelo próprio Chico, o ateliê congregava o esforço produtivo de uma quantidade de jovens aprendizes que o auxiliavam na exução de suas obras e que, posteriormente, vieram a produzir de forma autônoma. Entre eles merecem destaque Claudionor, Baba, Ivan de Assis, Garcia, Maria Augusta, Gilberto Brito; e os filhos de Chico, Chica da Silva, Roberto da Silva; e, ainda, Gerardo da Silva, neto do artista.

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AS PINTURAS RUPESTRES NO CEARÁ: ONDE ESTÃO?


Sobre as pinturas rupestres no Ceará, importante é o trabalho de Pompeu Sobrinho que nos informa sobre o padre Francisco Teles Correia de Menezes, de origem indiana, no fim do século XVIII e começo do seguinte, deu-se ao afanoso trabalho de visitar numerosos locais onde existiam inscrições rupestres, copiando com muita fidelidade quantas pode e registrando centenas de outras que não lhe foi possível examinar pessoalmente. O padre Francisco Teles Correia de Menezes legou-nos um pequeno trabalho intitulado LAMENTAÇÃO BRASÍLICA em que registrou as suas observações sobre as inscrições lapidares ou letreiros em pedra do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco; obra curiosíssima a que o estudioso atual desta matéria tem que recorrer obrigatoriamente e ainda esmiuçar detalhes. Isto não obstante o tempo já decorrido de cerca de 30 lustros.
No mesmo artigo Pompeu Sobrinho informa que os principais centros de inscrições rupestres são: o planalto dos Inhamuns, a serra da Ibiapaba, a bacia do Banabuiú e o médio Jaguaribe.
Quanto à temática, uma coisa, entretanto, chama atenção nos registros de nossa produção indígena: raros são os gravados ou pinturas antropomorfos. A quase totalidade dos desenhos anotados por Pompeu Sobrinho e outros estudiosos, é de caráter abstrato-geométrico. São simples esquemas gráficos ou símbolos de tradução desconhecida. Valendo ressaltar que nas produções encontradas na serra da Ibiapaba a mão humana está bastante presente.
Estrigas, no seu livro Artes Plásticas no Ceará, apesar de citar o livro Inscrições e Tradições da América Pré-histórica, de Bernardo de Azevedo da Silva Ramos, que informa a existência de algumas pinturas de caráter figurativo em aproximadamente uma dezena de locais, é taxativo ao dizer que:
A pintura mais valiosa de nossa arte primitiva, até agora conhecida, encontra-se em Itapipoca, numa gruta, na face de uma pedra, chamada lá de “Pedra Ferrada”, na subida da serra.
Nessa gruta, pintados em contorno, com um vermelho alaranjado, encontramos dois pássaros, um quadrúpede, doze figuras humanas e, outras indistintas. Parecem pertencer a mesma época, e se desenvolvem dentro da mesma concepção.
Dessas doze figuras humanas destacamos, como de maior expressão dramática, uma, em posição vertical, com as pernas afastadas e os braços estendidos horizontalmente, num gesto misterioso.
Duas outras figuras humanas estão em postura de dança com flexão de braços e pernas e sensibilizam pela beleza formal.
Das figuras zoomorfas os pássaros destacam-se, de frente, com as asas abertas, e parecem estar, sutilmente, alçando vôo ou acabando de pousar. Expressivo, também, é o quadrúpede, possivelmente um cervídeo, que se posiciona de lado, no comprido do corpo, e, apesar de sua imobilidade, deixa transparecer uma atitude alerta, pronto para a fuga em caso de perigo.
Quanto aos gravados e pinturas de caráter abstrato ou geométrico, o seu significado ainda é uma incógnita. Segundo Estrigas,
apesar de parecerem sinais alfabéticos, ideogramas, eles encerram, em sua execução, uma porcentagem de aplicação artística”.
Se são sinais comunicativos ou arte, não se sabe. O certo é que essas pinturas permitem várias leituras. Podem ser traduzidas como representações mágico-artísticas de formas dos reinos vegetal e animal, ou como simples registro de formas decorativas com fins puramente estético, ou ainda como representações simbólicas da paisagem. Sobre a possibilidade de interpretação destas manifestações artísticas, Ruth Trindade de Almeida, afirma com bastante propriedade, em a Arte Rupestre nos Cariris Velhos, que
a formulação de hipóteses interpretativas exige um conhecimento seguro e minucioso da realidade. Somente após a análise do conteúdo e contexto de cada sítio, do delineamento dos estilos e de informações de natureza cronológica, pode-se pensar, com alguma segurança, em formular hipóteses interpretativas. Talvez no futuro tenhamos mais elementos para compreendê-las. No Brasil, algumas interpretações foram tentadas, mas todas baseadas em visões parciais do problema, a partir de material recolhido no passado, sem conhecimento de uma metodologia rigorosa, tal como recomendam os especialistas atuais.
Como não temos notícias da realização, no Ceará, de mapeamentos precisos dos sítios existentes, nem levantamentos suficientes que permitam comparações estilísticas e temáticas, nem estudos que possibilitem comparações com a produção artística indígena de outras regiões do Brasil, nem uma datação rigorosa destas manifestações, qualquer tipo de análise interpretativa ou mesmo o estabelecimento de qualquer hipótese sobre a nossa arte rupestre evidenciaria uma atitude prematura.

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FRANCISCO LARA COMENTA A OBRA DE GALVÃO EM “OLHARES”


Roberto Galvão (Fortaleza, 1950) é um artista cearense de percurso internacional. Suas obras viajam pelo mundo, tendo sido expostas em países como Alemanha, Argentina, Bulgária, Cuba, Espanha, Estado Unidos, França, Macedônia, Polônia, Portugal e Uruguai; também em importantes instituições de várias cidades européias, como Barcelona, Berlim, Madri e Paris, e americanas como Buenos Aires, Havana, Portland, Nova Iorque, Montgomery, Menphis, Detroit, Atlanta e Chicago.

A minha intenção, como autor deste texto, é lançar um facho de luz, como um farol, sobre a personalidade poliédrica de uma das pessoas mais comprometidas do panorama cultural do Nordeste brasileiro atual: Roberto Galvão. Artista plástico, historiador, pensador e escritor; curador de exposições, crítico de arte, produtor cultural e professor. Dele, já se disse que tem a consciência de sua missão histórica na captação do mistério das coisas e do enfoque transfigurador da arte. E, com efeito, para Galvão não basta expressar as suas emoções com acerto estético. Ele necessita que sua obra contenha o seu pensamento político e a sua visão social, assím como fale de sua época, de sua realidade e cumpra a função social de despertar os seus semelhantes para novos postulados, que facilitem a aproximação e a abertura para novos paradigmas: “A nossa função de artista é descobrir como facilitar o despertar do espectador para a realidade. Os artistas têm que criar estes espaços de tensão através de imagens, objetos ou ambientes, em que o diálogo intermediado pela Arte possa acontecer. Ao mesmo tempo, forjar símbolos que sinalizem um caminho a seguir nessa busca de uma consciência libertadora.”

Graças a artigos sobre arte, que Galvão vem publicando desde 1984, e ao lançamento de livros como Chico da Silva e a Escola do Pirambu, Uma Visão da Arte no Ceará, Cinco Mestres Xilógrafos, Arte Tremembé, Aracatí: labirinto de sonhos, A Escola Invisível ou Paisagem Cearense”, podemos ir descobrindo diferentes facetas dessa personalidade poliédrica: “Em algumas ocasiões, nós, artistas, não temos a certeza de como cumprir nossa missão. Parece que nos escapam as referências exatas. Nosso trabalho não se materializa, se detém na fantasia, no mundo dos sonhos. Escapa a visão e nossa consciência não cristaliza. Assim, conseguindo plasmar a obra ou não, ser artista é o exercício de procurar cumprir uma missão. Apesar dos erros, das incompreensões, não podemos, nem devemos fugir de nosso destino. Essa opção não é nossa, dos artistas.”

Ao longo de sua carreira artística, Galvão tem utilizado, além da pintura e da escultura, a cerâmica, as jóias ou a fotografia, e também objetos da vida cotidiana – tecidos, pedras, madeiras, líquidos, carvão e terra – para compor instalações que falam da degradação da paisagem do Ceará onde habita e trabalha. Sempre com a intenção de desvelar, de tornar perceptível para o espectador o mundo em que vivemos. Jacob Klimtowitz, crítico de Sâo Paulo, acredita que “Verdadeiramente, Galvão discute a perenidade do real. Não é suficiente para ele simplesmente conhece o que observa. Ele deseja encontrar o coração da matéria, o núcleo do existente… E sua arte consegue, embora fundado num processo interiorizado, converter-se em registro de sua terra.”

Galvão é uma referencia na gestão cultural do Nordeste, além de uma figura essencial das artes, que acumula uma larga e frutífera experiência na produção e direção de projetos, assim como na curadoria de exposições. Muitos artistas se têm beneficiado de suas singulares idéias e logrado consolidar-se no panorama das artes graças a seu trabalho generoso. Pessoalmente, ele foi em certa medida o responsável por mudança marcante em minha trajetória criativa ao instigar-me, talvez sem notar, a passar de aprendiz a mestre, quando eu tinha trinta e um anos de idade e participávamos, junto com Eduardo Eloy e Marga Llin, de um ateliê de gravuras nos Cursos de Verão da Universidade de Alcalá de Henares, em Pastrana, em 1993, quando essa universidade espanhola celebrava o seu 700º aniversário. Do mesmo modo, desde aquela data tenho conhecido e presenciado em enumeráveis ocasiões o seu papel de assessoramento e orientação, inclusive na produção artística de não poucos criadores de relevância nacional e internacional. Não são poucos os pintores que ele tem entusiasmado a seguir produzindo, a evoluir mediante a elaboração do trabalho diário. É uma figura que consegue unir o interesse criativo com a gestão eficaz de todo tipo de iniciativas culturais, públicas e privadas. Mediante a criação do Instituto Olhar Aprendiz, nos últimos anos tem favorecido a realização de mais de setenta exposições, a publicação de catálogos e livros de arte e a realização de múltiplas atividades no território da Arte-Educação e da Pedagogia. E ainda, de sua autoria, tem obras nos acervos de museus como o de Arte Moderna (Sâo Paulo), MAUC da Universidade Federal do Ceará (Fortaleza), Arte Moderna da Bahia (Salvador), Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Casa da Gravura (Curitiba), Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro), Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar (Fortaleza) e Nacional do Gravado, em Buenos Aires (Argentina).

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