Roberto Galvão (Fortaleza, 1950) é um artista cearense de percurso internacional. Suas obras viajam pelo mundo, tendo sido expostas em países como Alemanha, Argentina, Bulgária, Cuba, Espanha, Estado Unidos, França, Macedônia, Polônia, Portugal e Uruguai; também em importantes instituições de várias cidades européias, como Barcelona, Berlim, Madri e Paris, e americanas como Buenos Aires, Havana, Portland, Nova Iorque, Montgomery, Menphis, Detroit, Atlanta e Chicago.
A minha intenção, como autor deste texto, é lançar um facho de luz, como um farol, sobre a personalidade poliédrica de uma das pessoas mais comprometidas do panorama cultural do Nordeste brasileiro atual: Roberto Galvão. Artista plástico, historiador, pensador e escritor; curador de exposições, crítico de arte, produtor cultural e professor. Dele, já se disse que tem a consciência de sua missão histórica na captação do mistério das coisas e do enfoque transfigurador da arte. E, com efeito, para Galvão não basta expressar as suas emoções com acerto estético. Ele necessita que sua obra contenha o seu pensamento político e a sua visão social, assím como fale de sua época, de sua realidade e cumpra a função social de despertar os seus semelhantes para novos postulados, que facilitem a aproximação e a abertura para novos paradigmas: “A nossa função de artista é descobrir como facilitar o despertar do espectador para a realidade. Os artistas têm que criar estes espaços de tensão através de imagens, objetos ou ambientes, em que o diálogo intermediado pela Arte possa acontecer. Ao mesmo tempo, forjar símbolos que sinalizem um caminho a seguir nessa busca de uma consciência libertadora.”
Graças a artigos sobre arte, que Galvão vem publicando desde 1984, e ao lançamento de livros como Chico da Silva e a Escola do Pirambu, Uma Visão da Arte no Ceará, Cinco Mestres Xilógrafos, Arte Tremembé, Aracatí: labirinto de sonhos, A Escola Invisível ou Paisagem Cearense”, podemos ir descobrindo diferentes facetas dessa personalidade poliédrica: “Em algumas ocasiões, nós, artistas, não temos a certeza de como cumprir nossa missão. Parece que nos escapam as referências exatas. Nosso trabalho não se materializa, se detém na fantasia, no mundo dos sonhos. Escapa a visão e nossa consciência não cristaliza. Assim, conseguindo plasmar a obra ou não, ser artista é o exercício de procurar cumprir uma missão. Apesar dos erros, das incompreensões, não podemos, nem devemos fugir de nosso destino. Essa opção não é nossa, dos artistas.”
Ao longo de sua carreira artística, Galvão tem utilizado, além da pintura e da escultura, a cerâmica, as jóias ou a fotografia, e também objetos da vida cotidiana – tecidos, pedras, madeiras, líquidos, carvão e terra – para compor instalações que falam da degradação da paisagem do Ceará onde habita e trabalha. Sempre com a intenção de desvelar, de tornar perceptível para o espectador o mundo em que vivemos. Jacob Klimtowitz, crítico de Sâo Paulo, acredita que “Verdadeiramente, Galvão discute a perenidade do real. Não é suficiente para ele simplesmente conhece o que observa. Ele deseja encontrar o coração da matéria, o núcleo do existente… E sua arte consegue, embora fundado num processo interiorizado, converter-se em registro de sua terra.”
Galvão é uma referencia na gestão cultural do Nordeste, além de uma figura essencial das artes, que acumula uma larga e frutífera experiência na produção e direção de projetos, assim como na curadoria de exposições. Muitos artistas se têm beneficiado de suas singulares idéias e logrado consolidar-se no panorama das artes graças a seu trabalho generoso. Pessoalmente, ele foi em certa medida o responsável por mudança marcante em minha trajetória criativa ao instigar-me, talvez sem notar, a passar de aprendiz a mestre, quando eu tinha trinta e um anos de idade e participávamos, junto com Eduardo Eloy e Marga Llin, de um ateliê de gravuras nos Cursos de Verão da Universidade de Alcalá de Henares, em Pastrana, em 1993, quando essa universidade espanhola celebrava o seu 700º aniversário. Do mesmo modo, desde aquela data tenho conhecido e presenciado em enumeráveis ocasiões o seu papel de assessoramento e orientação, inclusive na produção artística de não poucos criadores de relevância nacional e internacional. Não são poucos os pintores que ele tem entusiasmado a seguir produzindo, a evoluir mediante a elaboração do trabalho diário. É uma figura que consegue unir o interesse criativo com a gestão eficaz de todo tipo de iniciativas culturais, públicas e privadas. Mediante a criação do Instituto Olhar Aprendiz, nos últimos anos tem favorecido a realização de mais de setenta exposições, a publicação de catálogos e livros de arte e a realização de múltiplas atividades no território da Arte-Educação e da Pedagogia. E ainda, de sua autoria, tem obras nos acervos de museus como o de Arte Moderna (Sâo Paulo), MAUC da Universidade Federal do Ceará (Fortaleza), Arte Moderna da Bahia (Salvador), Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Casa da Gravura (Curitiba), Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro), Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar (Fortaleza) e Nacional do Gravado, em Buenos Aires (Argentina).