O projeto “Folguedo do reisado em Baturité”, desenvolvido pelo Centro de Educação de Jovens e Adultos Donaninha Arruda, de Baturité, foi agraciado com o Prêmio Construindo a Nação, do Instituto da Cidadania Brasil, Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Serviço Social da Indústria (Sesi), em sua versão estadual 2008-2009, na categoria Educação de Jovens e Adultos.
A finalidade do Prêmio Construindo a Nação é valorizar e mostrar como exemplo as ações que as escolas realizam, com a participação de seus alunos, para solucionar problemas das comunidades onde estão situadas. O prêmio também valoriza o papel dos professores na formação dos alunos como cidadãos a partir da aprendizagem advinda das demandas sociais das comunidades.
Um projeto exemplar
O projeto “Folguedo do Reisado em Baturité” surgiu da iniciativa dos professores das Áreas de Linguagens e Códigos e Ciências Humanas do CEJA Donaninha Arruda com o objetivo de dar visibilidade ao Patrimônio Imaterial de Baturité e foi concretizado a partir da compreensão do reisado como uma manifestação cultural que revela mitos e elementos do imaginário popular.
A professora Glícia Lima, uma das coordenadoras do projeto e cursista do Olhar Aprendiz, em março de 2009, na sua apresentação do projeto para os vereadores Câmara Municipal de Baturité discorreu sobre o desenvolvimento do “Folguedo do Reisado em Baturité”:
“… é lindo o patrimônio imaterial, essa força que surge do povo e que está no olhar, na expressão, no canto, na dança, muitas vezes sem nenhuma condição material”.
“E é um direito de todos conhecerem e compreender a cultura como construção social já que ela é tudo o que se reza, tudo o que se come e antes que ela seja destruída provocando a perda da nossa identidade. Esse é um dos objetivos do CEJA Donaninha Arruda : inserir no seu currículo temas que contribuam para a reconstrução da nossa identidade, reforçando os laços simbólicos da nossa cultura. Afinal, quem somos nós sem a nossa identidade cultural? Um povo sem voz e, portanto, sem a sua expressividade, sem a sua arte, alimento da alma”.
“Em rodas de diálogo entre os mestres da cultura, professores, alunos, pais de alunos e comunidade, percebemos claramente o vigor do folguedo do reisado e de como apesar de estar adormecido está fortemente presente nas reminiscências dessas pessoas.
Todos possuem dentro de si um bumba meu boi que dança para alegrar a vida. Dessa constatação surgiu a necessidade de pesquisar nas aulas de campo, na conversa com as pessoas mais velhas da comunidade, momento em que fizemos um levantamento antropológico do folguedo. Tudo isso, junto ao entusiasmo das pessoas jovens e adultas que começaram a se interessar e a querer vivenciá-lo. Um verdadeiro exemplo da conexão entre passado e presente. Esse foi então um momento mágico do projeto: começaram a surgir as oficinas em que vários materiais doados eram reciclados para a construção dos personagens como o boi, a ema, a nega, a burrinha e outros”.
“Podemos então perceber a dimensão que o projeto alcançou, da sua criação as noções de sustentabilidade do planeta como a reutilização de materiais de sucata transformados em expressões artísticas, desenvolvendo a capacidade estética dos nossos educandos. Os ensaios eram realizados à noite, envolvendo a todos como o núcleo gestor da escola, professores, alunos, pais, mestres da cultura, em uma sede emprestada já que não havia espaço na própria escola. Nesse momento estava acontecendo a troca de saberes entre o científico e o popular”.
“No dia 31 de agosto de 2006, reunimos na Praça do Salgado, em frente à escola um público de aproximadamente mil pessoas de todas as idades, crianças, jovens e adultos e todas as condições sociais para a primeira edição do folguedo. E foi incrível perceber o brilho nos olhos das pessoas que ali estavam, expectadores emocionados com a apresentação. O projeto continua aceso e obteve o primeiro lugar na categoria EJA – Educação de Jovens e Adultos, no Prêmio Construindo a Nação / Instituto Cidadania Brasil/ SESI Ceará , em sua edição 2008/2009”.
Fonte: http://reisadobaturite.blogspot.com











May 8th, 2009 at 8:28 pm
Puxa!
Estamos nos sentindo valorizados pela divulgação de nosso trabalho no CEJA,uma modalidade de ensino que precisa ser ainda reconhecida no Brasil. No entanto, precisamos comemorar principalmente, por fazermos parte do projeto Olhar Aprendiz que demonstra sensibilidade para captar o que fazemos de melhor nas nossas sala de aula.
A “educação do olhar”,ver as coisas do cotidiano com outros olhos é o que buscamos aprender uns com os outros nas nossas conversas no “Olhar Aprendiz”. Isso é muito importante para todos nós que trabalhamos com arte: ver as múltiplas possibilidades para um mesmo objeto.
Glícia Lima
Aprendiz do “Olhar Aprendiz”
May 8th, 2009 at 11:34 pm
Fiquei emocionada com a matéria.A Glícia foi minha colega no Curso de Letras, em Baturité.Companheira de “lutas” pela permanência do Campus Avançado da UECE. É uma pena que fechou, mas deixou bons frutos espalhados por todo maciço.Quanto ao Bumba Meu Boi,lembrei da minha infância quanfo meu avô contratava-os, e eles se apresentavam nos terreiros à luz de lamparinas. Eu morria de medo dos papangus.Muito bom seber que os jovens estão tendo contato com a cultura popular.
Parabens!
May 21st, 2009 at 9:08 pm
Vcs merecem, esta materia é o reconhecimento pelo trabalho, dedicação e esforço que vcs dedicavam ao espaço tão importante para a comunidade, carente de tantas coisas, mas com uma riqueza de “saberes” imensa.
Parabéns!!
May 22nd, 2009 at 8:46 am
Como Baturiteense e agente cultural de minha cidade fico feliz e grato pelo grupo do ceja.Parabens atodos aqueles que ajudam a arte e revivem de forma tam viva a cultura em nossa cidade.JA assisti o reisado e garanto aqueles q ainda ñ assistiram q vale apena,dos perssonagens o q eu mais gostei foi a morena.
July 3rd, 2010 at 11:16 am
Adorei a matéria do Blog sobre a solenidade do Prêmio Construindo a Nação.Parabéns a equipe do CEJA que desenvolveu esse projeto maravilhoso, o projeto “Café com Letras”. Eu também participo dele desde de 2006,no grupo de Teatro Espetáculos da Vida. Somos conhecidos aqui, em Baturité e em outras escolas de municípios vizinhos por divulgarmos os textos de nossos colegas da escola e também da comunidade.
Veridiana Torres
Aluna do Ensino Medio Semipresencial